Fechamento Aquarela II 2014

Aquarela

A técnica de aquarela que usamos é de ‘água sobre água’. Esta técnica oferece pouco domínio sobre as formas e quem a faz está sujeito a ver no seu trabalho a ação da diluição e da mistura. Em outras palavras, na aquarela não há controle e sim, um mergulho na vivência das cores.

A falta de controle e exige de quem pinta grande flexibilidade e acolhimento para o presente, seja ele qual for, e abertura para o que será no futuro.

A dança das cores vivifica as forças anímicas: o fulgor determinado do vermelho, a profundidade e frialdade do azul, o brilho expansivo do amarelo, a vibração quente do alaranjado, a escuridão reverente dos roxos, a vivificação dos verdes – e suas conversas com cada uma das outras, relativizando, impressionando, se fazendo presente na realidade psíquica do outro.

Estas vivências ensinam a tolerância às forças e potências das pessoas que nos cercam – familiares e conhecidos durante a nossa vida: aceitar e se colocar ao mesmo tempo, sem almejar que o outro mude, mas sendo quem se é e acolhendo quem está em volta.

Contos Nórdicos

Os contos nórdicos nesta segunda fase tiveram uma característica mais encarnada, mas ‘pé no chão’ do que tiveram os primeiros – da cosmogonia e do panteão. Estes falavam de um momento ideal enquanto a segunda fase contava da dissolução dos poderes superiores e do empoderamento do homem – da tragédia de um herói comprometendo todo o universo.

Esta vivência gera maior distanciamento e maior reflexão sobre a responsabilidade pessoal de cada um sobre seu destino, ao mesmo tempo gerando em nós mais vontade de mover forças para trabalhar no mundo – sem desculpas, se querer depender dos outros.

Henrique

Henrique aproveitou este segundo momento para ganhar autonomia em sua pintura, observar seus colegas e seu posicionamento no grupo, e para deixar ir embora os enrijecimentos e as cristalizações.

Henrique teve um excelente desempenho e aproveitaria muito continuar com vivências artísticas semanais.

Gabriela

Gabriela amadureceu muito nesta segunda fase do trabalho. No entanto ainda mostra que lhe falta o filtro, ou o escudo que a defenderia das coisas que vem de fora. Mostra certa inocência e necessidade de se apoiar em quem lhe dê segurança.

Sua provável reprovação na escola pode ser um benefício por colocá-la junto a moças e rapazes mais jovens que ela aproximando mais de seu nível de amadurecimento.

É importante não confundir sua grande inteligência com sua falta de amadurecimento que pode ter diversas origens.

Gabriela evoluiu muito e precisa de uma vivência de ‘autoridade amada’ firme e constante que lhe ofereça respiração e tranquilidade na sua vida agitada demais e muito cheia de estímulos.

Paulo

Paulo conseguiu dar largos passos na aquarela mostrando que aprecia o trabalho. A pintura lhe faz bem – ele tem conteúdos muito densos e muita intolerância e mágoa para diluir e trabalhar. Certamente ele precisa continuar com um trabalho na água – pintura – e eu recomendo o tema de Biografias importantes – Anne Frank, Thomas Edison, etc, que podem lhe dar dimensões sobre vencer na vida, e um pouco adiante Parsifal para que ele ganhe noção das dimensões de seu destino e se independa do passado através do perdão e da reconstrução.

Mateus

Mateus tem conteúdos que não são expressos verbalmente, mas que o acompanham no seu pouco falar. A água com cores lhe fez bem, seria importante que ele continuasse. Como conteúdo ele aproveitaria muito conhecer biografias icônicas de resgate e equilíbrio do masculino – heróis e guerreiros, e de transcendência das condições de seu próprio destino.

Deriana Miranda – condutora