Você, o Esperado

2 novembro 2013, Comentários 0

a cigana adormecidaNossa visão a respeito de nós mesmos é um mistério paradoxal: ora nos pensamos o umbigo do mundo, ora nos vemos como um ninguém perdido entre 7 bilhões.

De fato nossa tarefa na terra é exercitar ser um. Ser um sendo único, e no acolhimento que nosso ser dá a esta integralidade, ser uno com os outros também. Ser centro a um ponto que se extrapole ser centro em si e se perceba todos em compaixão. Transcender a compaixão pelos iguais humanos e abranger todos os reinos na sua colaboração e no seu sacrifício. De vez em quando a gente desperta e a consciência chega neste ponto, depois vira lembrança, o que nos deixa órfãos, ficamos apenas no intelecto querendo recriar aquele momento.

E aí é que entra a vontade da gente. Em que condições eu conseguirei ter de novo aquela clareza? Vou esperar que seja no susto? Como é que eu posso em mim mesmo perceber a criação inteira e o Criador? Onde é que, dentro de mim, eu vou achar o Universo inteiro e Deus, de novo, como eu tinha percebido antes?

É como um caminho de volta, de retorno, é tornar-se o filho pródigo – pense o caminho inteiro, mas agora sem estar apaixonado por ninguém, nem apaixonado por nada, pense no chão pedregoso, e em sede. Pense que no caminho, de repente tenha gente que te chame e te diga que nem vale a pena. É assim.

E você vai se sentir sozinho, vai lembrar de ter sido injusto, cruel, insensível, vai achar que não merece estar na bem-aventurança, que não é digno. E do outro lado, está lá você mesmo esperando, pacientemente.

Você entre os 7 bilhões de pessoas morantes da Terra vai ter que fazer o caminho de volta sozinho. E vai conseguir. Vai cuidar de cada passo da volta. Vai falar o que deve e calar o que é necessário. Vai abraçar muito mais porque vai encontrar muito mais gente perdida pelo caminho. Vai abandonar a pressa porque tem muitas tarefas a cumprir e elas nem são mais somente por você. Vai por a viagem de lado pelos outros e num dia quente de sede e bolhas nos pés, vai se descobrir exatamente onde precisava estar. Feliz de novo, por ter achado o caminho.

Você é Parsifal. Você é o Infante esperado. Coragem!

Deriana Miranda

Professora há 27 anos, 13 como professora Waldorf, Deriana Miranda é licenciada em Educação Artística Artes Plásticas - FAP, Licenciada e Bacharel em Letras Português/Inglês – UFPR e Especialista em Meio Ambiente, Educação e Desenvolvimento – UFPR. Cursou o Seminário de Pedagogia Waldorf - FEWB, frequentou o Curso Livre de Ciências Naturais e Humanas: Pesquisa e desenvolvimento da Epistemologia e Prática da Pedagogia Waldorf – FEWB, e é co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner – empreendimento social fundamentado na Pedagogia Waldorf e do Jardim Limão Rosa, uma iniciativa Waldorf, no qual é atualmente professora.