Tempo para meditar

12 março 2013, Comentários 0

Man-under-treeTenho pensado nessa última semana que, assim como cuido do corpo, a meditação deve ocupar um lugar ainda mais importante na minha vida. As informações que vem de fora e as emoções que vem de dentro estão se misturando, e a cada pouco tenho que parar pra dar uma limpada e colocar os pingos nos “is”. Entendo que não sou só eu que me sinto atolada em meio a tudo – família, trabalho, casa, cotidiano, projetos futuros, considerações sobre o passado. Mas o real é que só vivemos no presente. Desejo sentir o presente como um presente, um agora poderoso.

Acredito mesmo que o ser humano tem uma necessidade inerente de meditar, para não ficar repetindo a existência, mas sim, enriquecer a vida com o que tem de melhor, de mais profundo e precioso. Parece que meditar é algo distante, fora do nosso alcance, mas isso é um tabu nosso.

Sem essa que meditação é só para monges, já estivemos no metrô ou dirigindo às 18:30h, onde se sente que toda a população humana da cidade está envolta da gente e todos os barulhos, dos motores, dos celulares, conversas do fim de escola, o locutor do rádio, a música que o vizinho escuta e parece que nada sai do lugar, nada se move, o estresse e o caos está ali, e numa vontade individual de não se embaralhar com tudo. Aí vem naturalmente um piscar lento dos olhos e um inspirar profundo. Um recolher-se pra sentir verdadeiramente. Experimentar o nada é uma vontade de Ser e Estar. Nosso corpo e mente estão gritando para nós: Dá um tempo! Pare tudo, eu preciso sentir meu próprio ser!

Mas o que temos que parar para notar é que esse caos de barulhos, informação e racionalização externo também acontece dentro da gente. Não precisa ser 18:30h para que dentro da minha mente esteja um foguetório. Nossos pensamentos sâo como fogos de artifícios no dia de festa numa colônia de poloneses: estouram sem parar um depois do outro sem ordem alguma. As crianças que ainda não estão acostumadas choram assustadas, porque estão sentindo literalmente a situação caótica. Os cachorros choram e fogem porque sentem um impacto físico grande que os adultos, já domesticados com tamanha turbulência, acham normal.

Sim, vemos e sentimos a mesma coisa, vemos o caos, o sentimos fisicamente desconfortante, mas ficamos expostos a esses fogos e nossos pensamentos descontrolados, simplesmente porque nos domesticamos a ser assim.

Na verdade aceitamos acreditar que é normal. As crianças vão começando a achar que esse festival de pensamentos sem real utilidade são normais. Colocamos elas na frente da televisão para se entreterem um pouco. Levamos elas no shopping para se distraírem e encontrarem algo legal em meio a trocentas luzes, lojas, sons, e daí voltamos para casa perguntando sobre as tarefas da escola do dia seguinte, o que gostaram mais no passeio, se lembram do nome da mãe da colega que comprou tal presente de aniversário, etc.

Dar um tempo e fechar para balanço é uma escolha. Ninguém é obrigado a meditar.

Se dermos abertura para o novo, na internet tem milhões de técnicas para meditação, paradas feito pedra, dinâmicas com rodopios ou pulos ininterruptos até dizer chega, mas basicamente podemos meditar só contemplando o exterior, os carros que passam, o cachorro que faz xixi no poste ou as pessoas andando e conversando sobre os afazeres diários. Tudo é permitido. Tudo isso acontece na existência e a gente não precisa estar misturado, nós podemos só assistir, se atendo aos nossos próprios pensamentos notando se são inúteis ou não. Que emoções eu sinto afinal? Que pensamentos são meus afinal? Eu só estou de papagaio repetindo um mantra que vi no jornal?

A outra forma de meditar ainda mais revigorante é quando a gente dá um tempo pra gente, fecha-se pro exterior, fechando os olhos, olhando literalmente pra dentro da cabeça, deixando os pensamentos virem e irem, sem dar importância pra eles, admirando os “fogos”, sabendo que um momento eles vão acabar, aguardando a calma para nos trazer uma sensação de alívio. Uma liberdade de existência. A calmaria vem, não tem problema um ou outro pensamento virem, estando no comando, num momento os teus pensamentos e sensações simplesmente pararão de teimar e deixar o espaço livre. As interferências desse espaço interior é permitido por nós mesmos.

É só isso.

Meditar é limpar o interior. É só assistir e fruir o silêncio, o vazio, estar entregue à existência. Contemplar sem vagar e sem apressar a vida. Simples assim.

Post editado do blog do www.insistimento.com.br escrito por Regiana

Regiana Miranda

Professora de artes e trabalhos manuais e co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner de educação para a autonomia de crianças, adolescentes, adultos e idosos. Regiana acredita no amor como fonte transformadora da vida e inspira pessoas a se tornarem mais conscientes do seu próprio amor para viverem mais felizes e de forma mais autêntica.