Soco no estômago

19 fevereiro 2013, Comentários 1

dor2Muitas vezes colocamos a vida no automático até que passamos por um acidente na rua, somos assaltados ou nosso cachorrinho vem a falecer. Tudo está sempre igual, ontem cachorros morreram, sempre tem um número de assaltos e acidentes acontecem. Mas em  alguns desses dias parece que o ocorrido vira um soco no estômago.

Não aceitamos o fato, não digerimos o acontecido e tentamos revisar com nossas mentes o que pode ter falhado para que o desagradável e inesperado acontecesse. Temos que  continuar trabalhando, comendo, cuidando dos filhos, mas o nosso corpo está surrado, queremos realmente nos deixar ali parados,  sentindo um pouco de pesar, chorando um pouco pelos fatos.

Como faz para lidar com essa prostração? Como deixamos de acreditar que o anormal é normal ou vice-versa? O incômodo é tão forte que enquanto não contamos para um amigo, falamos sobre o fato, meditamos, ou passamos uma noite insones tentando digerir o assunto, não deixamos de sentir.

Esses socos são mesmo para ser sentidos, mastigados, digeridos, nos pegaram mesmo de surpresa, às vezes são só pra pontuar um pedaço da vida quando estamos distraídos, mas acontece também deles virem em série, aí entramos em estresse e em crise, mas na hora que saímos dessa temos que sair fortalecidos.

Quando saímos sem essa força perdemos a chance, ficamos confusos, deixamos de participar do que se passa na vida. Se não nos armarmos com força, esperança e valor a vida tudo se perde inclusive essas experiências, essas que talvez nos engrandeçam para recebermos notícias ainda piores, mas totalmente naturais, para nós vermos que não regemos o mundo.

Ainda assim, os melhores coaches daríam o mesmo conselho para passar pelo cotidiano e absorver todas as novidades. Se alimentar da melhor forma, beber água, praticar exercícios físicos e mergulhar em assuntos que fazem sentido e nos motivam.

Sabemos da regra, nem precisamos de coaches, mamãe falou, os médicos falam, seus amigos e sua vizinha. Ainda não menos importante, deixar um pouco da razão das coisas na mão do universo. Este está abraçando tudo, existe sentido para isso, nada é atoa.

Recebemos nosso soco e respiramos sentindo até onde chegou a dor, daí pensamos, foi só um, nos erguemos, colocamos a mão sobre a dor, meio bambos, mas respiramos de novo, lembramos do que por fim temos que fazer e andamos, até conseguirmos respirar mais, caminhar mais e daqui a pouco lembrar, já passou.

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Regiana Miranda

Professora de artes e trabalhos manuais e co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner de educação para a autonomia de crianças, adolescentes, adultos e idosos. Regiana acredita no amor como fonte transformadora da vida e inspira pessoas a se tornarem mais conscientes do seu próprio amor para viverem mais felizes e de forma mais autêntica.

  • Ana Maria Miranda

    Pensamos sempre que somos o centro do mundo, que as coisas só acontecem conosco. Na maioria das vezes as pessoas que estão próximas nem sequer percebem a tormenta que nos aflige. Como um animal, vamos lamber nossas feridas, talvez receber um afago ou outro até nos pormos de pé outra vez, e por nossa própria iniciativa retornar à vida “normal”.