Prova surpresa

7 março 2013, Comentários 1

main.backTempo esgotado, expirou. Hoje foi o dia de tirar a última gota de vivacidade. Foi um dia de desafio. Todos os dias são, mas hoje foi um dia com prova surpresa. Será que passei no teste? Acho que não. Por mais que eu sorrisse e dissesse obrigada, eu já tinha expirado, já tinha julgado em meus pensamentos o mau serviço, já tinha pensado que os atendentes eram machistas,… e aí, aí mesmo eu pensei, que absurdo! Como é que pode pensar uma coisa dessas? O serviço foi ruim mesmo, mas não tinha preferência de gênero o mau atendimento. Tentei ser diplomática até terminar de receber um pós venda mau servido.

Ah! Como fiquei feliz de ter chegado em casa mais tarde, sabendo que eu podia tomar banho e que hoje acabou! Mas a loja ainda está lá e os atendentes vão trabalhar amanhã. Eu obviamente não preciso passar por isso novamente, e vou evitar o local. De qualquer forma, sei que posso passar por isso em outro lugar, e concluo que não passei no teste.

No teste de paciência, de ensino, falhei. Estou com preguiça, mas sei que devo ligar para loja e falar sobre o atendimento. Se eu não fizer isso, eu que acredito em educação para desenvolvimento, outra pessoa que reclamar vai fazer uma galera perder o emprego.

Porque a desqualificação incomoda tanto se a gente não nasce sabendo de tudo? A educação é importante, mas muitas vezes acho inadmissível encontrar pessoas que não saibam coisas. Me envergonhei da minha falta de paciência, sabendo que todo mundo precisa de um tempo e oportunidade para melhorar e se desenvolver.

Então aí fica minha deixa: eu também preciso de mais tempo e oportunidade para desenvolver minha paciência, ser prática e procurar o gerente na primeira oportunidade. Espero que da próxima vez os atendentes tenham mais experiência e sejam melhores.

Tenho por obrigação tratar os outros seres humanos como eu gostaria que me tratassem diante da minha ignorância e falta de sensibilidade, já que não nasci sabendo de tudo e ainda não sei. Nem sempre me coloco no lugar do outro. Como é que fica aquele “amar o próximo como a ti mesmo?” Preciso apreciar, compreender e amar o outro já! Sou egocêntrica com esse negócio de amor próprio e não vou perder a chance de aprender a me amar mais.

Nessa prova não passei, mas para a próxima surpresa eu quero estar mais tranquila, esperando menos perfeição, aceitando as limitações, exigindo melhora, porque quero melhorar e acredito que todo mundo também quer ser melhor. Porém, não posso esperar nada do outro, mas de mim, ah! como quero ser mais paciente!

Regiana Miranda

Professora de artes e trabalhos manuais e co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner de educação para a autonomia de crianças, adolescentes, adultos e idosos. Regiana acredita no amor como fonte transformadora da vida e inspira pessoas a se tornarem mais conscientes do seu próprio amor para viverem mais felizes e de forma mais autêntica.

  • Ana Maria Miranda

    Nessas horas professoras tem de lembrar de ser professoras e apontar na hora o serviço mal estruturado, mas como além de professoras somos mulheres, guardamos o ranço da inferioridade do sexo frágil, ficamos temerosas do enfrentamento. Deixamos de atuar.