Perspectivas

5 fevereiro 2015, Comentários 0

Starry-NightSim, sim, você chegou às metas finais – quase todas as metas que você tinha se determinado a alcançar. Fechou todos os assuntos, amarrou as pontas. E com tudo isso você tem aquela sensação de um certo vazio que se aproxima.

O que fazer?

É preciso dar o próximo passo. É preciso determinar o dia de amanhã – planejar como vai se desenhar o futuro. Sim, porque você não vai morrer amanhã. E então se apresenta a mais natural alternativa: repetir!

Como assim, começar tudo de novo? Fazer tudo o que você já fez? É. Embora pudesse haver muitas ideias inovadoras, tem uma tentação isso de fazer tudo de novo. Você pensa: “isso tudo eu já domino. Nada mais pode me surpreender. Eu conheço os processos, os desenvolvimentos, conheço até mesmo o tipo de pessoa que é atraída para estes assuntos de tal modo que mais um ciclo repetindo o que eu sei fazer pode ser muito fácil…”

Pode ser que você se meta a fazer tudo de novo. Pode ser que você tenha poucas variações da sua primeira experiência- os processos, os desenvolvimentos, as pessoas… mas existe algo agora que é totalmente diferente de antes. Você!

Hoje você não se parece em nada com a pessoa que você era quando começou a fazer o que você hoje faz bem. Definitivamente. Há algo na experiência que nos transforma todos os dias, a cada encontro, a cada problema. Somos novos porque vamos dormir precisando de solucionar questões durante a nossa vida: ‘como vou dizer isto para o meu chefe?’ ‘Como vou cumprir esta meta?’ Enfim, você precisa sempre ir atrás de soluções, criar, inventar, recorrer a outras pessoas, tudo isso quase todos os dias.

E, por outro lado desenvolver mais e mais foco, mais e mais concentração. Estudar sempre muito mais, compreender melhor e melhor. E isto tudo vai te polindo e te transformando. E, por incrível que pareça – e apesar de se colocar tudo na conta do tempo ou da genética ou sei lá de que mais, exatamente a transformação do seu ser inteiro se mostra no seu envelhecimento, na mudança do seu modo de vestir-se, na reformulação das suas escolhas.

E agora, tantos anos depois, com filhos crescidos, com netos, talvez e rugas e casamentos desfeitos, ou novos ou sem companhia nenhuma. Com mudança de endereço, de roupas, de amigos, com hábitos completamente repensados – desde os hábitos de comer. Bem agora, você termina com um ciclo de trabalho e você já não é mais quem você era.

Portanto, se você se render ao apelo de repetir, você não vai estar fazendo a mesma coisa. Você não vai estar na mesma posição. Diante de um mesmo problema de antes, você vai arranjar novas soluções, diante das pessoas, você vai dizer outras palavras.

Nós mudamos e não há modos de revivermos o que já vivemos um dia. Tem a outra alternativa: inventar um caminho novo. Talvez seja bom. Talvez ele desperdice aquilo que a maturidade traria para um ‘revisitar’ de experiências antigas, agora de um ponto de vista maduro e novo.

Você continua vivendo. E a vida não para nem aos 35, nem aos 50, nem aos 70. A vida é contínua e plena em todos os dias desde o nascimento até a morte e desde a morte até o nascimento.

Cada passo ou meta procura cumprir com nossa proposta pessoal muito anterior ao dia de hoje. Anterior ao momento mesmo em que você se deu conta que queria seguir por esta rota que seguiu.

Viva a vida – inteira como ela se propõe para você. E confie que o próximo passo que você vai dar – revisitar ou inventar – vai estar sempre cheio de algo que você nunca viveu.

Deriana Miranda

Professora há 27 anos, 13 como professora Waldorf, Deriana Miranda é licenciada em Educação Artística Artes Plásticas - FAP, Licenciada e Bacharel em Letras Português/Inglês – UFPR e Especialista em Meio Ambiente, Educação e Desenvolvimento – UFPR. Cursou o Seminário de Pedagogia Waldorf - FEWB, frequentou o Curso Livre de Ciências Naturais e Humanas: Pesquisa e desenvolvimento da Epistemologia e Prática da Pedagogia Waldorf – FEWB, e é co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner – empreendimento social fundamentado na Pedagogia Waldorf e do Jardim Limão Rosa, uma iniciativa Waldorf, no qual é atualmente professora.