Os anéis e os dedos

14 setembro 2014, Comentários 0

Mona_Lisa_detail_handsMuito bem, vamos admitir que neste ponto da sua vida você já tenha anéis,  muitos anéis. Não só sabe fazer as coisas, mas acumulou bens que adquiriu através do desenvolvimento e aplicação do que só você sabe fazer.

Todo mundo admira seus anéis – especialmente você. São bonitos, brilhantes, etc. Mas, de fato, se você os perder, os dedos que conseguem fazer tudo o que você faz você jamais perderá.

No entanto, não se admiram os dedos das pessoas, os nós, os calos, às vezes a pele ressecada. Dedos são dedos, ora! Mas se prestássemos atenção à história dos nossos dedos! Ah, testemunharíamos uma viagem interminável de sucessos em cada mínimo gesto. Os dedos cuidam do corpo como testemunhas da presença de cada pequena parte. Os dedos alcançam e retêm uma capacidade de avaliação tátil particular. Recolhem, espalham, primem, acariciam. Dedos estão em todas as nossas atividades. Mesmo no momento de mais sossego eles ajudam a levantar uma mecha de cabelo caída ou os óculos que escorregaram. Escrevem, ajeitam, cuidam.

É um saber ir e posicionar-se perfeitamente. Uma relação entre cada um deles e todos eles ao mesmo tempo, de ritmo e espaço que ninguém poderia ensinar. Eles aprendem sozinhos.

Os dedos nascem nas mãos, são dependentes uns dos outros e tem sempre formas diferentes e ao mesmo tempo uma harmonia e uma regularidade precisas.

No fim, a gente vai mesmo ter os anéis, mas não pode deixar de estar consciente que, o tempo todo, o que sustenta esses anéis são os seus próprios dedos, esses, sim, seu patrimônio imperecível. É através deles que aparece sua presença e sua colaboração neste mundo.

Deriana Miranda

Professora há 27 anos, 13 como professora Waldorf, Deriana Miranda é licenciada em Educação Artística Artes Plásticas - FAP, Licenciada e Bacharel em Letras Português/Inglês – UFPR e Especialista em Meio Ambiente, Educação e Desenvolvimento – UFPR. Cursou o Seminário de Pedagogia Waldorf - FEWB, frequentou o Curso Livre de Ciências Naturais e Humanas: Pesquisa e desenvolvimento da Epistemologia e Prática da Pedagogia Waldorf – FEWB, e é co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner – empreendimento social fundamentado na Pedagogia Waldorf e do Jardim Limão Rosa, uma iniciativa Waldorf, no qual é atualmente professora.