o professor digno

18 novembro 2013, Comentários 0
aluno declama diante de professor

aluno declama diante de professor

Qual é a tarefa do professor? Estar diante de alunos, sempre, mas para quê?

Bom, há professores de diversos tipos, mas eu quero colocar foco no professor de crianças – todas as crianças – aqueles que estão sendo criados são crianças, portanto, não vou separar as crianças dos pré adolescentes, adolescentes, mocinhas, rapazes, jovens… E para que não reste dúvidas sobre quem é que está sendo criado, eu quero apontar para o fato de que quem não é adulto é criança. Você traçou uma faixa entre umas certas idades na sua cabeça? Vamos por uma tampa na criação das pessoas pelos 21 anos. Bem tradicional: a lei, a tradição, seu avô, todo mundo aponta para esta data – diga-se de passagem que aponta meio desesperadamente, porque os 21 não mudam muita coisa na vida de muita gente, mas as pessoas estão já munidas de tudo o que precisam para andar por si depois desta idade.

Não precisamos abandonar o olhar sobre quem faz este aniversário. Os adultos mais velhos precisam apoiar os adultos mais novos, claro! Mas daí para frente é preciso que se exercite as prerrogativas da vida adulta. E que se lide com consequências.

Mas vamos pensar no papel do professor diante de uma criança. Estamos cada vez mais impedidos de escolher se vamos ou não vamos para a escola. Eu penso que ter uma casa com condições para criar as crianças de forma adequada é um desafio cada vez maior nos dias de hoje. Ou falta espaço, ou falta ritmo, ou falta disposição. As crianças acabam espremidas em atividades adultas inadequadas, em horários difíceis e às vezes são presas dentro da televisão porque incomodam. E crianças incomodam, mesmo. Elas estão aí para descobrir o mundo e transformá-lo em alguma coisa extraordinária, que a gente, aliás, não consegue nem mesmo imaginar.

Então buscamos uma escola. Com a consciência limpa porque a escola é uma ‘exigência jurídica’, e isto já é bem bom para a gente se livrar do próximo passo que é pensar em que escola a gente vai colocar a criança. Com sorte, as crianças terão um parquinho seguro e olhos atentos que não deixem que elas arranjem encrencas. Já existe um currículo para os próximos 12 anos e isto deixa para gente apenas a escolha de qual escola vai catapultar nossos filhos mais alto. E propaganda há de todo tipo: “Venha para um ensino bilíngue que prepara o seu filho para a guerra do mercado garantindo a entrada nas melhores universidades” desde os 2 anos de idade… “Traga o seu filho para o ensino de valores humanos com tradição de 500 anos” pense bem, 500 anos é literal para algumas escolas. E tem a versão “Liberte seu filho das amarras do sistema! Traga-o para nossa escola alternativa” que, vamos concordar todos, é escola, afinal!

As escolas servem aos pais que as sustentam, afinal, e a gente reproduz um modo de viver de muito tempo por gerações. Em certas cidades isto é duro, crônico, mas de fato não se mudam as coisas faz muito tempo. A gente quer as crianças na escola, quer que sejam alguém na vida, quer que alguém se responsabilize pelo nosso filho e que ele seja feliz no final.

No entanto a gente faz esta busca por escolas filtrando isto e aquilo e chega finalmente a uma escola. Faz a matrícula e terá de agora em diante a realidade de um adulto – mais um adulto – diante do nosso filho. É aí que está a chave. Não importa tanto assim a filosofia da escola, não importa tanto assim o preço, a promessa. Isto ajuda a gente a achar tipos de pessoas diferentes, o que importa mesmo é se o professor que se coloca diante do nosso filho está firmemente assentado na vontade de ser melhor, de crescer como ser humano, de comprometer-se com o amor, de aliar-se a verdade.

O que importa é o ser humano que está diante do nosso filho. Ele não vai ser perfeito. Claro que não. Não há seres humanos perfeitos. Mas há aqueles que decidiram ser melhores e estes estarão sob o olhar atento dos nossos filhos. Em cada passo e em cada pensamento. Tomara que todos os professores sejam dignos desta observação tão devotada. Esta é a tarefa.

Deriana Miranda

Professora há 27 anos, 13 como professora Waldorf, Deriana Miranda é licenciada em Educação Artística Artes Plásticas - FAP, Licenciada e Bacharel em Letras Português/Inglês – UFPR e Especialista em Meio Ambiente, Educação e Desenvolvimento – UFPR. Cursou o Seminário de Pedagogia Waldorf - FEWB, frequentou o Curso Livre de Ciências Naturais e Humanas: Pesquisa e desenvolvimento da Epistemologia e Prática da Pedagogia Waldorf – FEWB, e é co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner – empreendimento social fundamentado na Pedagogia Waldorf e do Jardim Limão Rosa, uma iniciativa Waldorf, no qual é atualmente professora.