O primeiro passo

6 fevereiro 2014, Comentários 0

eugeniozampighi-a_happy_familyJá foi dado o primeiro passo, e o segundo passo do ano já está bem começado. Um passo após o outro em um caminho. É preciso estar atento ao lugar para onde se vai. E é preciso saber que se pode também passear, mudar a direção e, claro! que tudo vai trazer um certo resultado.

Então já foi um passo, e onde me trouxe este passo? E já vai indo o segundo. Eu estou desperto sabendo onde vou, ou estou dormindo, sendo levado ladeira abaixo. Onde vou parar?

Já foi um passo, a cada passo a gente pode avaliar se queria estar onde está, se queria vir a este lugar onde chegou, se se está na direção certa.

As vezes a gente tem a impressão de uma vida longa, mas ponha feijões na sua frente contando o número de anos que você já viveu – são muitos? E se sua expectativa for de viver até os 100 anos? Sobram muitos feijões? A vida é curta – são 4 anos de faculdade? São 11 de escola? são 30 de casamento? A gente precisa dobrar a vida muitas vezes para fazer dos nossos dias dias profícuos que valham por meses.

Os ‘enquantos’ têm que acontecer todo o tempo: enquanto eu vou para a escola eu faço boas amizades, eu caminho vivendo os meus músculos, eu mergulho na natureza, eu medito, eu compreendo, eu empreendo, eu durmo, eu construo, eu pinto, eu amo. Todo o meu tempo é pleno do meu pensar e do meu sentir e do meu querer que eu experimento no mundo – e tem que ser experimentar com o frescor de um aprendiz.

Eu olho a minha volta, todas as pessoas vivendo e eu vivo o que elas vivem e sinto o que elas sentem. E minha vida se multiplica na experiência dos outros, sempre mais a medida em que eu envelheço.

E minha gratidão pela vida das pessoas é intensíssima porque me dou conta que minha vida é ínfima e estreita e meus braços curtos e porque os outros estão a minha volta minha vida é infinita e meus braços envolvem o mundo.

O primeiro passo do ano foi curto pra mim, mas vasto para a humanidade – para onde vamos? Onde viemos parar? Nós queremos continuar nesta direção e estamos aproveitando o movimento que tivemos?

Minha presença no caldo da humanidade tem um papel fundamental, é bom lembrar: como é que eu direciono, redireciono, pondero, corrijo a direção da humanidade? É como a soma da direção e da intensidade de cada passo. Cada passo com toda a sua consciência conta. O passo firme em uma certa direção é o mesmo que um apelo, ou uma seta, um puxão. E eu tenho a mesma força que todos os outros seres humanos e o mesmo peso – cada um de nós tem.

Meus passos individuais – cada passo de cada indivíduo, aliás, aponta para uma direção e eu desconfio que aquilo que a gente está cultivando mais fundo dentro de nós, aquilo que tem sido motivo de maior cuidado e maior carinho faz com que cada passo tenha uma marca no mundo.

E seguem infinitos para a humanidade, os passos – finitos para cada um de nós – e um sempre vem atrás do outro. Que a gente possa dar passos cada vez mais simples, mais certeiros. Tomara!

Tomara que cada um de nós possa se responsabilizar por cada um dos passos que dá, pela direção, pela força, pelo peso. Tomara que cada um de nós seja capaz de despertar para conscientemente dar a direção que os passos precisam ter. E que os passos todos partam do nosso coração para o coração de todos os outros.

Deriana Miranda

Professora há 27 anos, 13 como professora Waldorf, Deriana Miranda é licenciada em Educação Artística Artes Plásticas - FAP, Licenciada e Bacharel em Letras Português/Inglês – UFPR e Especialista em Meio Ambiente, Educação e Desenvolvimento – UFPR. Cursou o Seminário de Pedagogia Waldorf - FEWB, frequentou o Curso Livre de Ciências Naturais e Humanas: Pesquisa e desenvolvimento da Epistemologia e Prática da Pedagogia Waldorf – FEWB, e é co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner – empreendimento social fundamentado na Pedagogia Waldorf e do Jardim Limão Rosa, uma iniciativa Waldorf, no qual é atualmente professora.