O fiozinho do balão

17 fevereiro 2014, Comentários 0

balõesEu pensava no corpo humano. Já viu que quando a gente pensa no nosso corpo a gente pensa em partes? ‘Cabeça, ombro, joelho e pé, joelho e pé…’ Pois é. E na cabeça suas muitas partes e nas mãos as muitas partes, e isto tudo a gente vê por fora. Depois o corpo pode ser visto lá dentro e a gente chegou a conhecer os órgãos internos. Esses dias mesmo eu vi os rins do meu marido colorizados e completamente apartados do corpo em 3D em uma gravação num dvd. Pode? Agora a gente sabe oficialmente que tem rim – e que (quase sempre) são dois! E sabe que tem outros órgãos guardados dentro da nossa barriga, dentro das nossas costelas.

E quando ficamos doentes logo relacionamos o problema com um dos nossos órgãos: ‘é o fígado por conta da bebedeira, ou das frituras’. ‘Esse diabetes é por conta da falta de insulina, culpa do pâncreas!’ ‘Ela tem o intestino preguiçoso’. E assim nós vamos dando nossos diagnósticos e apontando as faltas dos nossos órgãos. Culpa deles, claro!

Mas o caso é que a gente desconfia mesmo que nosso poder está dentro do nosso corpo, como se fôssemos um ramalhete de virtudes mágicas – virtudes de transformação e produção de vida estável. Vamos colocando as coisas para dentro – comida, claro! Mas pense nos cheiros que a gente põe para dentro! Pense nos sons, nas imagens! O que em nós digere as imagens? Para onde vai a impressão de um som que nos assusta?

Nosso corpo é um apanhado de seres cheios de sabedoria que estão frouxamente ligados a nós. Cada um atento à música que nos toca pessoalmente. Imagine! Carregamos nossos órgãos presos na barriga sem ter ideia que são representantes, cônsules em nós de grandes sabedorias do que está expresso por aí naquilo que comemos e vemos.

E comemos dormindo para a comida, e olhamos para o mundo sem ver direito como deveríamos olhar, tocamos nas coisas como se elas fossem secas e mortas e nelas não houvesse mais nada do que o que é seco e morto que de fora eu digo e só.

Nosso corpo segura pela ponta de fiozinhos grandes balões coloridos, e nós vamos despreocupados, porque afinal, quando algo os tocar, eles saberão o que fazer, embora nós, quase sempre, não.

 

Deriana Miranda

Professora há 27 anos, 13 como professora Waldorf, Deriana Miranda é licenciada em Educação Artística Artes Plásticas - FAP, Licenciada e Bacharel em Letras Português/Inglês – UFPR e Especialista em Meio Ambiente, Educação e Desenvolvimento – UFPR. Cursou o Seminário de Pedagogia Waldorf - FEWB, frequentou o Curso Livre de Ciências Naturais e Humanas: Pesquisa e desenvolvimento da Epistemologia e Prática da Pedagogia Waldorf – FEWB, e é co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner – empreendimento social fundamentado na Pedagogia Waldorf e do Jardim Limão Rosa, uma iniciativa Waldorf, no qual é atualmente professora.