Eu quero a Escola Waldorf

13 março 2013, Comentários 1

aquarela florinhas

Sempre me perguntam do motivo de eu querer continuar trabalhando justamente com Pedagogia Waldorf. Tanta escola boa por aí! Tanto pedagogo bacana com ideias tão boas. E eu preciso concordar com isso. Há gente que pensou demais sobre pedagogia. Desde Pestalozzi, Maria Ferreiro, Paulo Freire. Eu sinceramente respeito demais todas estas mentes extraordinárias que atravessaram a história da pedagogia.

Admiro mais Rudolf Steiner talvez porque ele idealizou a Pedagogia não somente como pedagogo, mas carregando em si a expressão do enorme esforço da perfeita encarnação do homem, do compromisso com o ser humano até as últimas consequências.

A questão da escolha pela Pedagogia Waldorf para mim é, portanto, bem outra.  Não posso negar que o que me arrasta para trabalhar com a Pedagogia Waldorf é tudo o que aparece na sala de aula – a beleza, o ritmo, as relações, mas muito mais do que isso o que me encanta nela não está dentro da sala de aula. E aí saio enumerando coisas que me impactam, que me deixam extasiada, e que não dizem tudo, nem terminam com os encantos.

Eu me regozijo da poderosa ideia por trás de tudo. Da grande ideia social por trás do cumprimento na porta da sala de aula que o professor e o aluno trocam, por trás das grandes reuniões pela capacitação semanal dos professores, por trás das eleições sociocráticas Sempre vou comemorar a experiência de se exigir ao máximo porque não existe chefe que coloque metas ou cobre nada, mas porque há crianças que crescem testemunhando essa atitude.

Sempre também me encantei com as imagens que atravessavam a escola, com os sons das músicas, com as histórias, pintadas na palavra de cada um deles. A grande imagem da estrutura trimembrada – a cultura, a jurisdição e o trabalho se apoiando em âmbitos diferentes da comunidade escolar, a imagem do círculo horizontal que desmanchava a hierarquia, a imagem do ideal maior regente do trabalho de todos.

Também me encanto com a arquitetura nas Escolas Waldorf, das adequações dos espaços com cortinas, panos, cores e texturas. Das Madonas, dos quadros negros com desenhos extraordinários ilustrando as épocas, das maravilhosas aquarelas, dos desenhos de formas, das mesas de época – especialmente nas classes menores, dos jardins.

Cada criança carregando cadernos feitos a cada dias por eles mesmos, com lápis coloridos que despejam muito pigmento sobre o papel, assim como os gizes do quadro negro depositam muito pigmento nos desenhos grandes – e efêmeros. Sempre adorei a experiência da efemeridade, também, como imagem da impermanência. Adorava ver os desenhos de forma e experimentá-los com os olhos, com os gestos.

Nunca perdi a oportunidade de entrar nas salas do jardim. Lá a luz das cortinas projeta uma cor quente sobre meia dúzia de cestas. Uma cheia de bolinhas feitas de tricô e crochê, outra cheia de tocos de lã, outra com tecidos coloridos dobrados, outro com seixos, outro com bichinhos de feltro, outra com lã para cardar, com cardadeiras. Admirei os cheiros da cozinha do jardim, os pães feitos na hora.

Também é linda a imagem do tempo que atravessa a educação – da eternidade, passando pelas histórias míticas, pela história registrada até os dias atuais. A criança é acompanhada em seu desenvolvimento também, na sua versão pessoal do desenvolvimento histórico da humanidade.

Ainda algo encantador é a grande imagem do homem que está presente em cada Escola Waldorf. A Pedagogia Waldorf quer que a educação dê a oportunidade para que os jovens tragam suas imagens anteriores ao nascimento para construir um novo mundo.

Gosto de pensar na grande imagem do homem que inspira cada professor, que traz sempre a pergunta a respeito de a que aquele grupo de crianças está disposto neste momento de seu desenvolvimento. Gosto da imagem da corporalidade humana – do professor apoiando os alunos com sua estrutura integral, a cada momento mais sutil. Gosto da ideia de que qualquer um com treino é capaz de enxergar o outro, por observação disciplinada.

Gosto de ver que cada um dentro da escola está fazendo o maior esforço possível para seu auto-desenvolvimento desde o seu mais remoto pensamento até a sua ação e palavra diária.

Mais do que tudo, gosto da ideia da liberdade que atravessa cada dia da escola, liberdade como meta, como construção, como exercício. Gosto de pensar que cada esforço que se faz na escola é um esforço para que as crianças da escola testemunhem moralidade ainda que em sacrifício.

Gosto de pensar na infinita paciência que temos que ter conosco e com os nossos companheiros de escola – homens e mulheres querendo sempre o melhor. Todos os dias errando. Todos os dias tentando.

Não sei se é possível enumerar as incontáveis virtudes que se sobrepõe na Escola Waldorf que são construtores dessa pedagogia. É nisto que me baseio para escolher a Pedagogia Waldorf e não qualquer outra para as crianças. Porque eu tenho certeza absoluta que cada uma delas também aproveita cada um desses detalhes, e muitos outros que nem foram mencionados aqui.

 

Deriana Miranda

Professora há 27 anos, 13 como professora Waldorf, Deriana Miranda é licenciada em Educação Artística Artes Plásticas - FAP, Licenciada e Bacharel em Letras Português/Inglês – UFPR e Especialista em Meio Ambiente, Educação e Desenvolvimento – UFPR. Cursou o Seminário de Pedagogia Waldorf - FEWB, frequentou o Curso Livre de Ciências Naturais e Humanas: Pesquisa e desenvolvimento da Epistemologia e Prática da Pedagogia Waldorf – FEWB, e é co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner – empreendimento social fundamentado na Pedagogia Waldorf e do Jardim Limão Rosa, uma iniciativa Waldorf, no qual é atualmente professora.

  • Ana Maria Miranda

    Graças a Deus pelo encantamento diário pela vida, pela maravilhosa missão dos educadores, pelos filósofos da educação empenhados em pensar para o amanhã e pelas pessoas, que como vocês, se esforçam para levantar uma bandeira de liberdade, democracia e amor no seu mais amplo sentido.