Educação Hipócrita

2 novembro 2012, Comentários 0

O texto abaixo foi originalmente publicado no blog Insistimento por um dos coordenadores do Liceu Rudolf Steiner, Marcos Rezende, e recebeu tantos comentários dos leitores do blog que demonstrou, mais uma vez, um fato já comprovado, mas ainda não admitido pela sociedade: a educação, da forma como conhecemos precisa mudar, pois a humanidade já mudou a educação não acompanhou esta mudança definitivamente.

Fique com um trecho do artigo publicado a seguir.

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A educação que temos na escola “normal” não é educação, é domesticação, é conluio, uma combinação. Combinamos de seguir as regras da sociedade e de nos tolher sem mesmo nos conhecer com base, apenas, naquilo que nos dizem ser certo ou errado. Combinamos de fazer as mesmas anotações que o professor passa no quadro, para ficar acima da média estabelecida como “normal” para que nossos pais fiquem contentes, nossos professores sejam avaliados no seu trabalho e a instituição de ensino faça um outdoor divulgando que naquela escola a maioria dos alunos tem capacidade para decorar questões e passar em concursos ou vestibular. Ninguém coloca um cartaz dizendo que naquela escola, as crianças formadas são felizes. Aliás, ninguém, em nenhum lugar liga para a felicidade apesar de ela fazer parte da busca interna de todo, repito, todo o ser humano.

Como nós nos enfiamos em caixinhas e vivemos uma vida difícil na infância, temos quase que por obrigação que fazer o mesmo com os nossos filhos sem nem ao menos questionar o que está sendo feito com eles na escola. Os professores não mais entregam ferramentas para o aluno se descobrir como era na época de Aristóteles, por exemplo. Os professores de hoje, se colocam em um patamar mais alto que os alunos como se eles fossem diferentes dos “pequenos”. Desconsideram totalmente a história daquele aluno e o poder e conhecimento dele como “alma” afirmando que seus conhecimentos sobre fórmulas e datas comemorativas são mais importantes e essenciais que os questionamentos internos que toda alma traz pra vida. Professor hoje é carreira e não opção. Professor hoje é salário e não função.

[pullquote_right] Professor hoje é somente professor e não mais mestre ou tutor. Poucos se salvam e, dos que salvam, cada um de nós adultos, lembramos com clareza de suas indagações e questionamentos a respeito da nossa vida. [/pullquote_right]

Uma das minhas maiores satisfações atualmente é estar abrindo junto com amigos professores, um liceu para aulas de contra-turno e cursos de extensão com uma educação antiga, fenomenológica e não mais utilizada atualmente para formar potenciais profissionais de caixinhas. Lá, teremos cursos de Astronomia, Física, Empreendedorismo, Discurso e Oratória, assim como Reparos e manutenção de residências, trabalhos manuais, filosofia, ética, entre outros. Uma turma se junto contra o que hoje existe de educação para fazer a diferença a sua maneira na sociedade. E detalhe, ainda mais importante, daremos abertura a todos que quiserem participar dos nossos cursos dando-lhes liberdade para que cada um escolha, por si só e pelo poder da sua própria consciência, quanto desejará pagar por cada um dos cursos. Haverá aqueles que não pagarão nada ou pagarão somente dez reais, enquanto outros pagarão cem, duzentos ou quanto mais de acordo com suas situações financeiras. O nosso trabalho lá é, enquanto professores, de colocar questionamentos, dar ferramentas e levar a luz do conhecimento a cada alma para que esta se desenvolva por si só em busca da sua felicidade.

Não é incrível que sejamos domesticados durante toda a infância para sermos iguais aos outros e que quando chegamos na fase adulta, somos avaliados pelo quanto somos diferentes em relação aos outros.

Continue lendo o texto original no blog Insistimento.

Marcos Rezende

Microinvestidor à frente da Noxion, Insistimento, Chocolouca e de outras microempresas, além de professor e coordenador no Liceu Rudolf Steiner, trabalha apoiando microempreendedores a se conscientizarem sobre o poder dos seus talentos para que busquem no empreendedorismo uma forma de servir ao mundo sendo a diferença que desejam para ele.