Dor

29 junho 2014, Comentários 0

320px-Gustav_Klimt_039A dor passou daquilo que tortura a gente dentro da carne para alguma coisa que atravessa nossos olhos a partir da vivência dos outros. Era dor de estômago, dor nas costas, dor de garganta. Hoje sinto dor porque não consigo acudir quem vejo penando dores que não curam.

Existe a ferida indefinidamente aberta, a carne sempre exposta, existe o latejar constante. E eu? Eu não alcanço quem chora. Todos além da janela, além da rua, além da televisão.

Eu vejo um touro em sangue, eu vejo uma floresta deserta, eu vejo gente morrendo de fome, eu vejo uma cabeça decepada. E não fosse isso dor suficiente, eu vejo gente investindo em ser – na próxima esquina – esfaqueado, roubado, raptado, chantageado, porque esfaqueia, rouba, rapta e chantageia.

Olho por olho dente por dente.

Que dor que não acaba! E eu do outro lado da televisão.

Tomara que haja colo suficiente para todo mundo.

Tomara que haja cuidado – e é preciso cuidado de graça, ainda imerecido, mas se ninguém plantar, não vai haver o colher jamais!

Eu quero ter fé, mas dói ainda.

Deriana Miranda

Professora há 27 anos, 13 como professora Waldorf, Deriana Miranda é licenciada em Educação Artística Artes Plásticas - FAP, Licenciada e Bacharel em Letras Português/Inglês – UFPR e Especialista em Meio Ambiente, Educação e Desenvolvimento – UFPR. Cursou o Seminário de Pedagogia Waldorf - FEWB, frequentou o Curso Livre de Ciências Naturais e Humanas: Pesquisa e desenvolvimento da Epistemologia e Prática da Pedagogia Waldorf – FEWB, e é co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner – empreendimento social fundamentado na Pedagogia Waldorf e do Jardim Limão Rosa, uma iniciativa Waldorf, no qual é atualmente professora.