Do prático até o fazer uma limonada

7 fevereiro 2013, Comentários 1

limonadaA nossa vida está tão conectada com o industrializado, com o terceirizado, com o que é mais prático que hoje somos uma sociedade pobre de cultura, o sapato que uso é o mesmo que usam em cada continente, as bebidas que se encontram fácil são as mesmas também, a perda da diversidade cultural no globo se dá pela oferta do mesmo  e pelo pouco tempo que dispensamos entregando-nos ao que é prático e não na prática do fazer.

O prático muitas vezes não é o mais barato, não é o mais saudável individualmente, não é o mais sustentável socialmente, mas certamente é o mais usado porque a humanidade se trata como um bando de adolescentes em que em um embate se defendem com o que se diz “mas todo mundo faz assim” e de fato muita gente faz, porque não tiveram tempo de se ater aos próprios atos, nem tiveram oportunidade de viver o diferenciado, o individualizado. Não conhecem a prática do fazer com as próprias mãos ou dar valor pelo que é feito fresco por mãos alheias.

Os carros, quantos modelos se conhece? Quantas marcas? Tudo isso é finito. Imagine quantos modelos de carros existiríam se a industria não fosse tão defendida por patentes, quantos universitários se formam mecânicos, engenheiros, desenhistas industriais que como uma banda se juntariam para produzir o novo, o melhor, o mais adequado para cada cidade. Quantas teses não ficariam só nas pesquisas mas na modificação da sociedade em si.

Haveriam mais profissionais com visão e trabalhos na prática do que é necessário na vida. A riqueza além de maior em diversidade seria dividida por muitos, não seria só a meia dúzia dona de fábrica que estaria recebendo com gratidão o valor pago por um bem, um conforto, a necessidade.  Seriam vários recebendo o valor do custo benefício, literalmente.

Quantos pedagogos se formam conhecendo o que a Montessori fez, o Piaget, o Paulo Freire, mas no final, no momento de entrarem em sala, de coordenarem a cartilha de exigências já foi feita e elas não terão a liberdade e provavelmente as alegrias de um Paulo Freire, de uma Montessori, porque elas tem as diretrizes para cumprir. Diretrizes bem semelhantes em qualquer canto do mundo.

Existe em todos os países a tentativa da formação em massa, mas somos salvos pela rebeldia inerente de alguns seres humanos que tem compromisso com o criar, com o fazer com as mãos, com o plantar, o vivenciar a natureza, o contemplar o que não é só industrializado, porque não é necessário rechaçar nada que existe mas é necessário sim se envolver com a beleza do fazer diário, do viver cotidiano.

Dando enfim valor para os abraços, a limonada feita em casa, o limão do quintal, o bolo que a vó faz e por favor aprenda a receita porque a gente vai ser avô um dia, ou avó, ou tia, ou simplemente vai ter a força de servir um bolinho caseiro para servir com café e amenizar o estresse num café da volta da fábrica de um amigo.

 

Regiana Miranda

Professora de artes e trabalhos manuais e co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner de educação para a autonomia de crianças, adolescentes, adultos e idosos. Regiana acredita no amor como fonte transformadora da vida e inspira pessoas a se tornarem mais conscientes do seu próprio amor para viverem mais felizes e de forma mais autêntica.

  • Ana Maria Miranda

    Meu livro de receitas estará sempre às ordens. Receitas novas e usadas serão bem-vindas.