Certezas do acaso

11 fevereiro 2013, Comentários 2

no-televisionPara as pessoas que não planejaram nada, simplesmente esqueceram o foco em si, ou em suas metas ganham também um presente dos feriados, o acaso. Na casa se estiver cheia ou não, sente perto da xícara de chá e se tiver gente converse, se não, use os próprios botões para pensar, claro, sem televisão por perto.

Aliás é sempre bom lembrar que ao desligarmos a televisão em dias comuns ganhamos no mínimo uma hora para sentirmos, assistirmos e estarmos mais próximos dos nossos parceiros de casa. Se fizermos isso todos os dias, conseguiremos conhecer melhor os outros, o que é mais divertido, conseguiremos conhecer um pouco mais de nós mesmos.

Hoje em dia se fala tanto de drogas mas não aprendemos a enfrentar a realidade 24 horas por dia, desde pequenos chegamos da escola e tem aquela tela pensando por nós, imaginando por nós, criando necessidades de produtos na nossa vida. Olhe, hoje foi frustrante na escola mas vamos pensar nos problemas da protagonista, ou vamos acreditar que se comprarmos o game IV todos os nossos problemas se solucionarão. O mundo fica pendente, as dores ficam pendentes, a vida fica pendente e vamos crescendo, daí, mais velhos já adolescentes o que podemos fazer ao levarmos o primeiro pé na bunda? Naquele mesmo mês em que as notas em matemâtica te empurram para a recuperação?

Se pensarmos assim com tanta oferta não é de se acreditar ser estranho imaginarmos que as pessoas procuram o que as tiram da realidade – mas pô cara porque você aceitou aquela droga, porque caiu nessa? Na verdade o cara não queria atrapalhar a novela de ninguém e não teve com quem chorar, se abrir e conversar, porque nem é natural que se faça isso, afinal depois do trabalho e da escola existe a realidade chamada televisão, ou para quem tem a possibilidade de estar longe da novela, estar sozinho no quarto com seu computador e sua dor.

Daí também dá para se afundar em comida, um pacotinho de biscoito, outro de salgadinho, duas latinhas de refri e tudo isso para nossa sociedade é tido como normal, nossa fuga é tanta, nossa falta de consciência e presença é tamanha que é completamente normal um cara comer mais de trocentas  calorias no almoço, num restaurante fast food, não se pensa no daqui a pouco, minhas papilas querem e quem manda são elas, elas que me dão prazer na vida. Não é que não seja bom, que não podemos ter prazer, mas a vida não é feita só de prazeres, nem
só de dores ainda bem, mas existem esses polos e tudo que fica entre eles.

Mas o presente do tempo foi nos dado, agora o acaso, o poder pensar sobre a nossa própria existência o aprender a amar nosso corpo, nossos antigos amores, nossas dores de separação, amar a presença de quem a gente ama e está perto de nós e mais uma vez sentarmos para cantar perto do violão, sorrirmos quando erramos a música e agradecermos que todo dia a gente pode desligar o que está errado e sintonizar no que nos faz bem.

Regiana Miranda

Professora de artes e trabalhos manuais e co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner de educação para a autonomia de crianças, adolescentes, adultos e idosos. Regiana acredita no amor como fonte transformadora da vida e inspira pessoas a se tornarem mais conscientes do seu próprio amor para viverem mais felizes e de forma mais autêntica.