Bobo é quem leu

14 março 2013, Comentários 1

cutcaster-photo-100509812-Chinese-GraffitiConheci essa frase na porta do banheiro do Colégio Estadual Hildebrando de Araújo, quando eu tinha uns oito anos de idade. Saí do banheiro possessa porque eram tantas pichações! Essa aliás, não era tão mal criada, mas me fez vestir a carapuça de ser boba, porque eu passei lá e obviamente tinha lido. Como é que pode, depois da gente aprender a ler, você bate o olho e pluft, o enigma desfeito, a informação já está dentro da tua mente, você escolhendo ou não.

A vida é assim aliás para a maioria de nós, somos viciados em leituras, em línguas, mas sem abstrair demais, sem filosofar demais. The book is on the table, se o livro é filosofia, decoração, ou o Diário de um Banana, não interessa e não interessa se foi escrito em inglês. Se leu e entendeu, já está na tua mente. Vamos acabar lendo e as idéias de quem quer que tenha escrito.

As propagandas então de cervejas e refrigerantes são as melhores. São muito boas mesmo: é de parabenizar os publicitários. Um slogan melhor que o outro, além de ler, ouvir, começa a reverberar na cabeça como um rosário. Daí, quem só sabe ler, já vive vibrando e obedecendo os sinais cerebrais quase que instintivamente. É aquela coisa “compre baton, compre baton”.

Mas eu já tive a grande oportunidade de ser analfabeta, andei em supermercados, olhava rótulos escritos em coreano, chinês, eles eram lindos! Não me obrigavam a nada, fui descobrindo pouco a pouco as línguas. Não, hoje não sou fluente em nenhuma delas. Mas sei fazer compras com o pouco que sei.

Ainda assim, os supermercados depois de algumas idas não são tão fantásticos. Temos que ler, selecionar, encontrar o que precisamos e não o que nos é oferecido. Isso em todos os lugares que vivemos. Assim são para as informações que se tem nas páginas da internet, na televisão, nas propagandas de rua.

Sim, é realmente maravilhoso poder ler, escrever, sentir a literatura, poemas, descobrir os caracteres chineses também, escrever português com o alfabeto coreano, o hangul, só para fazer um novo código, além de saber que o hangul foi tão estudado que o computador é mais rápido nessa língua, ele também foi criado para aproximar os coreanos da língua deixando de lado a escrita chinesa que não era tão facilmente absorvida. Mesmo para quem começa a ler inglês, ouvir as músicas e entender as letras, é realmente maravilhoso ser alfabetizado. Mas temos que ter cuidado.

Tudo é informação. Enquanto não jogarmos fora um tanto delas, fecharmos os olhos para outras tantas, tornando-nos os bobos que leem.

Regiana Miranda

Professora de artes e trabalhos manuais e co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner de educação para a autonomia de crianças, adolescentes, adultos e idosos. Regiana acredita no amor como fonte transformadora da vida e inspira pessoas a se tornarem mais conscientes do seu próprio amor para viverem mais felizes e de forma mais autêntica.

  • Ana Maria Miranda

    Chego a adoecer, ter indigestão de tanto apelo e informação. Mesmo quando busco leitura por minha vontade, chega uma hora em que é preciso parar para digerir ou devolver o que excede.