As drogas e o que comemos

28 fevereiro 2013, Comentários 0

supermarketJá vou avisando que este post foi escrito por  alguém sem estudo sobre o assunto. Não tive experiências com drogas, ou melhor, não tive experiências com drogas ilícitas. O que não acho que faça muita diferença no quesito drogas. Temos álcool, açúcar, remédios para dor, para dormir, enfim. Quando achamos que estamos livres de drogas será que pensamos que estamos livres de vícios que nos deixam estagnados tal qual as drogas?

Também temos o supermercado, o qual vende produtos com selos que os ministérios licenciaram, pois as comidas se tornaram produtos e não alimentos. Tenho certeza que todo mundo sabe onde encontrar refrigerantes no supermercado que foram pela última vez, a área é enorme! Mas já pensaram onde será que está a aveia ou o arroz integral?

O que será que compramos? O que precisamos? Será que o que é bom para nosso corpo é o que está nos alimentando? Ou estamos apenas nos intoxicando? Estamos com uma população de pesados e sobrepesados crescente. Também temos um índice crescente de anoréxicos e bulêmicos. Por que estamos assim? Será que não aprendemos a comer? Será que sabemos quando utilizar a comida como alimento e quando a usamos como entretenimento?

O quanto nós mesmos estamos querendo nos estagnar? Sem falar que os meios de comunicação fazem propaganda, afinal, eles não nos forçam a lê-los, ouví-los ou assistí-los. O quanto somos inconscientes no supermercado e compramos coisas que nos entopem, intoxicam, e não nos alimentam? Porque hoje as pessoas dizem “estou cheio” e não “satisfeito”?

É possível haver festa sem refrigerante? Será que temos que radicalizar e nos afastarmos tanto desses entretenedores a ponto de cantarmos parabéns sem essas conhecidas garrafas em volta? A sociedade impõe o que temos que comer e como devemos nos comportar, ou somos nós que não temos força para nos posicionarmos? Onde está a nossa força de revolucionar o mundo? Aquela na qual acreditávamos quando éramos adolescentes.

Será que vamos educar nossos filhos para aceitar essa ou aquela marca, pois ser você mesmo não é mais suficiente? Viver com o que você tem não é mais suficiente, a frustração de não ser o que as propagandas indicam que seja correto é enorme, e assim como não sabemos lidar com o que vem de fora, abrimos a geladeira e escapamos. Então será mesmo verdade que somos super equilibrados e não temos vício?

É necessário pensar no que consumimos e para que estamos consumindo.

Obedecer rótulos da sociedade e das prateleiras certamente não nos dá tanta satisfação quanto se cuidar, se amar e amar a quem nós ofertamos alimento.

Regiana Miranda

Professora de artes e trabalhos manuais e co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner de educação para a autonomia de crianças, adolescentes, adultos e idosos. Regiana acredita no amor como fonte transformadora da vida e inspira pessoas a se tornarem mais conscientes do seu próprio amor para viverem mais felizes e de forma mais autêntica.