Amor em tudo

5 março 2013, Comentários 0

loveQuando a gente perde o primeiro amor é que nos perguntamos, aonde está o amor? Acreditamos que se fulano ou fulana não nos ama, aquela criatura que somos fissuradas, logo ninguém vai nos amar, não somos dignos do amor.

Que besteira, ignoramos que nossos pais a vida inteira, ainda que tenhamos tenros 14 ou 15 aninhos, nos amaram dia após dia. Ah, meus pais gritaram minha infância inteira, ora, eles estavam te dando a maior atenção possível, te amavam, não sabiam te amar é óbvio. Aí é que está a grande questão, temos tanto amor para dar, para receber também, mas aonde se encontra esse amor? Como é o amor? Como se produz isso?

Os pais normalmente amam tentando dar o melhor, a melhor escola, a melhor comida, a melhor roupa, as melhores oportunidades, para cada pai o melhor é diferente do outro, mas o melhor verdadeiro para cada um é a tradução de amor. A melhor educação é sempre dada ainda pelos pais mais ignorantes, porque eles fazem tudo o que é possível dentro do alcance emocional e intelectivo deles.

O amor é atenção, é ação. É uma xícara de chá bem quentinha quando chegamos em casa gripados. É uma mensagem no computador que você não esperava. O amor é o dizer todos os dias Te amo antes de sair, porque o amor é ainda contemplação.

O amor é respeito, aquele ato de se levantar no ônibus para a pessoa mais velha sentar, sem avaliar se essa pessoa quando era mais nova se levantava ou não para os mais velhos. Amor é quando o cachorro abana o rabo para você e faz você sorrir. Amor é movimento e criação. Está em tudo. Amor é inteligência, aquela que faz os aviões voarem, e desamor é o que a gente pensa, pô mais usam o avião para as guerras.

Amor é quando uma porção de gente se reúne para empreender, é quando nas reuniões todos conseguem sair satisfeitos. Amor é fazer força para uma família inteira ficar motivada a viver quando um ente querido parte. É o que estava e o que resta, não dá para ignorar os vivos, nem quem partiu. Então temos que nos mover, cozinhar ou comprar comida ainda que o vazio esteja lá e a casa esteja desconfortavelmente grande.

Só dá pra continuar a existir quando o respeito ao luto existe, quando o carinho para trazer a melhor sobremesa no dia que não é de festa. Amor é arrancar sorrisos, é lembrar que a alegria tem que permanecer, porque estamos vivos.

Amor é ir atrás de sorrisos, de abraços, de cura, de ter esperanças, amor é sem dúvida a valorização do agora, porque teu vô já morreu, teu irmão talvez, teu pai, a namorada que você queria tanto casou com outro, mas ainda sim não se pode descartar quantos regozijos e alegrias a vida te deu com a outra e a outra namorada tão amadas que vieram depois. O amor é saber que não tem mesmo fim do túnel, é sempre a caminhada, a luz está lá e continue, porque mais formas de amor a gente vai encontrar.

Regiana Miranda

Professora de artes e trabalhos manuais e co-fundadora do Liceu Rudolf Steiner de educação para a autonomia de crianças, adolescentes, adultos e idosos. Regiana acredita no amor como fonte transformadora da vida e inspira pessoas a se tornarem mais conscientes do seu próprio amor para viverem mais felizes e de forma mais autêntica.